Eu perdi um grande amor?

Eu perdi um grande amor. Eu o deixei passar e assisti enquanto escorria entre os meus dedos. Para ser sincera, a dor é tanta que já nem sei se estou lúcida ou dramática demais. Tanto tempo que a gente não se fala, não se vê, não se encara e eu só queria dizer “eu sinto sua falta”, eu sinto tanto…

Quando o vi pela primeira vez de longe eu já sabia que o amaria. O problema é que eu não consigo gostar ou beber moderadamente, nem mesmo ser pontual, ou nada sinto ou sinto demais. Eu vivo tudo com intensidade, preciso disso. Não aprendi a viver no meio termo, não gosto de talvez, não suporto incertezas elas são as que mais me atormentam.

Por vezes, eu aceitava e me contentava com as migalhas que ele me dava, elas eram tão saborosas, eu me deliciava tanto que me viciei e posso afirmar que senti toda a sua dor, mas ele sequer notou a minha. Eu permiti àquela situação, eu permiti que me machucasse e ele o fazia sem perceber (ou não), até parecia que eu era conivente com a minha própria dor, mas é claro que as coisas não funcionavam desse jeito. Apesar de tudo, o que mais me incomoda é não ter dito e demonstrado tudo o que eu sentia, eu não fui honesta com ele e o pior de tudo, eu não fui honesta comigo mesma.

Agora ele está longe e muito provavelmente nunca lerá esta carta, nunca saberá que fiz um desenho do seu rosto o qual não consegui terminar assim como não consegui entregar, que quase todas as coisas que eu escrevo são sobre e para ele. Talvez não fizesse a mínima diferença, mas sinto que lhe roubei o direito de saber que fora verdadeiramente amado mesmo que não pudesse corresponder. O amei sem cobranças, sem esperar nada em troca, o amei tão rápido, o amei tanto que eu esqueci de mim, eu só o via, eu não me via e quando ele me olhava nada existia além de nós, mas nunca existiu um “nós” éramos “eu” e “ele”, assim separado, cada um de um lado. Para falar a verdade eu até esperava alguma coisa, esperava ele segurar a minha mão, o que nunca aconteceu. Eu queria abraça-lo mais, eu queria mais tempo, mais coragem e isso tudo me deixou assustada, tão assustada que às vezes eu desejava fugir, dormir e só acordar quando conseguisse atingir algum estágio de amnésia, mas o meu amor era por vezes maior que o meu medo, meu medo de não sei o que.

E no final, num dia qualquer ele sumiu. Sim, eu sei que a culpa não foi minha, não houve culpados, mas carrego a culpa de ter sido covarde, de trair meus próprios sentimentos, de não ter dito logo tudo de uma vez antes dele partir por livre e espontânea vontade sem dizer adeus.

Eu sinto que o fim que se deram as coisas não mudaria tanto, entretanto eu teria me libertado muito mais cedo dos monstros que insistem em me aterrorizar porque a angustia da incerteza pode doer muito mais do que a rejeição.

Sinto também que não só o perdi. Eu, sem dúvidas, me libertei.

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bn

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