Eu sou a minha melhor companhia

Durante algum tempo sustentei a ideia de que era necessária a presença de alguém, sejam amigos ou relacionamentos amorosos para se divertir de fato em um lugar como o cinema, por exemplo. Ou seja, meus momentos de felicidade estavam dependentes de outras pessoas, mas esse poder não devia ser exclusivamente meu? E quantas vezes eu deixei de sair ou de fazer algo por acreditar que não tinha companhia? E eu? Será que não sou o bastante?

Bom, hoje eu fui ao cinema sozinha mais uma vez, nada demais, só me senti liberta mais uma vez.

Eu mudei, modifiquei muita coisa em minha vida, mudei alguns hábitos, ando me arriscando mais, no entanto, eu percebo que a maior mudança me aconteceu por dentro, eu tenho tido um novo olhar sobre as coisas e isso me fez aprender muito.
Encontrei-me com minha avó pouco antes de sair e ela me questionou “vai sair sozinha de novo?” respondi que “sim” e automaticamente ela me devolveu um “Tem paquera envolvido, não é?!” e eu simplesmente disse com uma sensação de leveza “Não, não tem”. Foi libertador.

Enquanto realizava o meu percurso, sozinha e a pé noite adentro, driblei alguns assédios como o de costume, incluindo até um cara sem noção querendo ser o meu “segurança” forçando uma aproximação indesejada, estava presente o medo rotineiro de ser atacada ou até não conseguir chegar salva ao meu destino, as chaves estavam posicionadas entre os meus dedos, estrategicamente, para uma possível autodefesa. Mas dessa vez esse medo não chegou a me consumir por inteiro então segui em frente.

Eu estava sorrindo – era um sorriso tão sincero – não só pelo filme e comida, ambos maravilhosos, ou por conseguir chegar bem em casa, mas sim por finalmente descobrir algo que eu já sabia, eu sou a minha melhor companhia. Hoje, eu me dei conta disso e usufruir ao máximo. São mesmo tão divertidos esses meus momentos comigo. E isso não tem nada a ver com egoísmo ou algo do tipo, tem a ver com amor, tem a ver com autoestima.

Eu consigo compreender o porquê de estar “só” e não há motivo para reclamar, eu preciso me conhecer melhor, preciso entender algumas coisas sobre mim, sobre ser melhor comigo mesma e continuar aprendendo a ser um ser humano melhor com os outros também. A questão é que eu tenho passado muito tempo vivendo para as outras pessoas, sentindo suas dores, tentando ajudar e não me arrependo disso, quero continuar assim e até melhorar nesse quesito, mas preciso tirar um tempo para o meu autoconhecimento. Preciso de um tempo, um tempo meu.

Finalmente depois de um bom tempo eu estou de coração vazio. Não sinto mais saudades enlouquecedoras, nem me torturo olhando para trás. Mas veja bem, o meu coração não se tornou uma pedra, isso ele nunca foi, muito pelo contrário, continua como uma calda de chocolate. Prefiro “calda de chocolate” do que “manteiga derretida”. Eu só abri mão, desisti, para melhor dizer, pelo menos por enquanto, das relações amorosas. Eu estou bem em relação a isso e dessa vez não há mentira nessa afirmação. Não há solidão.

Eu estou sozinha, eu sou sozinha, mas não me sinto só. Não mais.

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